29 de abril de 2022

Ambiente Tóxico no Trabalho: Os 4 F’s da Reação ao Medo

Imagine todos os dias ter que trabalhar se preocupando com cada palavra, cada ação, cada gesto, porque tudo pode se tornar motivo para que você sofra alguma crítica pesada.
Imagine todos os dias ter que trabalhar se preocupando com cada palavra, cada ação, cada gesto, porque tudo pode se tornar motivo para que você sofra alguma crítica pesada.
Tempo de leitura: 4 minutos

Quando alguém reclama de algo ruim que ocorreu em seu ambiente de trabalho, é comum ouvirmos críticas, veladas ou não, a esta pessoa. Frases do tipo “Por que não falou na hora?” ou “E você não fez nada, só aceitou?”.

Infelizmente, estes conselhos posteriores, ainda que bem-intencionados, não levam em conta que somos seres humanos e podemos reagir de forma diferente daquela supostamente ideal quando estamos em um contexto que sentimos haver algum grau de tensão e hostilidade.

Entender estas reações normais é o primeiro passo para planejar o desenvolvimento pessoal em direção a atitudes mais funcionais, é o que faremos neste texto.

O que é um Ambiente Tóxico?

Imagine todos os dias ter que trabalhar se preocupando com cada palavra, cada ação, cada gesto, porque tudo pode se tornar motivo para que você sofra alguma crítica pesada.

Imagine que todos os dias você veja seus colegas se queixando, evitando dar opiniões ou mesmo fugindo de responsabilidades. Imagine ter medo em cada interação com um chefe, por sentir que, caso não calcule cada passo, sua trajetória na empresa poderá estar comprometida.

Possivelmente, muitos leitores podem não apenas imaginar como também relembrar. Ambientes tóxicos de trabalho ainda são comuns, comprometendo a qualidade de vida de muitas pessoas e suas famílias.

Sim, suas famílias, pois um colaborador neste ambiente sente os prejuízos em sua saúde mental mesmo fora do horário comercial.

A deterioração das relações interpessoais é o primeiro sintoma de intoxicação social. Mas esta é uma doença que evolui.

Um ambiente tóxico é contexto ideal para a evolução de chagas mais graves: racismo, assédio sexual, misoginia, burnout, abuso de poder. De forma consciente ou não, a pessoa percebe o perigo para si que existe neste cenário.

E, diante do perigo, existem 4 reações humanas naturais, os 4 F’s: Fight, Flight, Freeze, Faint – Lutar, Fugir, Congelar, Desfalecer.

Reagindo em um Ambiente Tóxico

Nós, humanos, somos animais. Isto significa que, mesmo que nos vejamos a partir de nossas ideias, pensamentos, reflexões e tudo o mais que colocamos sob o etéreo conceito de “Mente”, ainda estamos sujeitos aos nossos processos fisiológicos.

Comer, dormir, respirar ou qualquer outra necessidade fisiológica, sempre haverá mensagens do corpo em nossas ações, mesmo naquelas que consideremos puramente mentais. Estas mensagens, pense bem, sempre estão ligadas à sobrevivência.

Diante do perigo percebido (um leão na savana ou uma reunião crucial, não importa), o nosso corpo reage: uma descarga elétrica pelos nervos do chamado Sistema Simpático dispara ordens para nossos músculos, vísceras, coração.

Um dos mensageiros dessas ordens é chamado de Adrenalina, e é por isso que os amantes de esportes radicais e perigosos são chamados de “viciados em adrenalina”.

No começo do século XX, o Dr Walter Cannon descreveu a reação típica dos animais neste contexto como uma reação de Luta ou Fuga (fight-flight response).

De fato, se refletirmos sobre casos de nós mesmos ou amigos em situações ameaçadoras, veremos uma quase totalidade de respostas no sentido de enfrentar o problema (e nem sempre de uma maneira positiva) ou fugir dele (o que às vezes é, sim, uma boa ideia).

E um ambiente tóxico é uma usina de situações ameaçadoras.

A Ameaça Constante No Ambiente Tóxico

Posteriormente, outros estudiosos acrescentaram à teoria o fato observado de que existem outras duas reações típicas ao perigo: congelar e “fingir-se de morto”, ou desfalecer (freeze-faint, e assim temos nossos 4 F’s).

Em outros textos vamos trabalhar mais as variações dentro de cada “F” desse, o importante aqui é saber que o nome “oficial” para estas reações é Espectro de Respostas ao Estresse.

Sim, estresse, exatamente aquele de quando pensamos “estou muito estressado!”. O estresse é a reação fisiológica natural em situações de perigo percebido (pois esse perigo pode ser real o não), fundamental para nossa sobrevivência.

Na hora certa e pelo tempo certo, o estresse é algo excelente. E é exatamente aqui que um ambiente tóxico se torna um mal terrível: ele gera estresse o tempo todo, com picos ocasionais, sem descanso. Nossos corpos não estão preparados para isso, e vamos todos adoecendo.

Quanto trabalhamos em um ambiente tóxico, já saímos de casa antecipando que o dia será difícil, e nosso corpo já começa a emitir os sinais fisiológicos de estresse.

Durante o dia, atitudes e situações desagradáveis pioram o quadro, elevando a pressão interna. Este contexto esgarça o tecido das relações entre as pessoas, favorecendo a quebra dos mais básicos princípios da ética.

Quando as ações aversivas agudas finalmente emergem, as reações não são mais racionais, e a bomba explode em algum lugar.

Como Desintoxicar o Ambiente de Trabalho?

Um ambiente assim não está perdido, ainda. Os dois pilares principais para o detox corporativo são:

1) a construção da possibilidade de comunicação transparente em compliance entre os colaboradores;

2) o desenvolvimento de conhecimento sobre temas sensíveis, problemáticos, tabus. Em suma, é necessário saber e poder falar sobre os riscos comportamentais que estão tornando aquele ambiente tóxico.

Uma excelente forma de fazer isso é com programas de treinamento e desenvolvimento de Compliance focados no assunto.

Unindo a antiga arte de contar histórias com a interatividade possibilitada pela tecnologia, o IPRC Brasil criou a Jornada Comportamental, um programa que mira na cultura organizacional trazendo à tona de forma lúdica e disruptiva os temas que tornam um ambiente de trabalho algo tóxico, desagradável, desmotivador.

Assim, lançamos luz sobre os comportamentos que geram riscos sistêmicos às organizações, permitindo a construção de um bom lugar para se trabalhar. Saiba mais sobre a Jornada Comportamental!

Autor: Thiago Sant’Anna

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